A aparição do álbum de estréia do The xx em diversas listas de melhores do ano é sintoma de uma época em que uma idéia de estilo, de roupagem, é rapidamente colocada à frente de o que parece estar de fato no âmago das obras. Temos, aqui, um caso semelhante, embora visivelmente menos talentoso, ao de uma banda como o Grizzly Bear, ou de um cineasta como Park Chan-wook: sua dedicação à produção de um estilo é tão precisa que ofusca o fato de que não há, no disco, uma canção realmente memorável.
O mais curioso é que ambas as bandas parecem realmente calcadas na idéia de canção, desvelando essa característica mais como falta do que como recusa. No caso do The xx, o frágil charme do disco vem da construção de uma atmosfera enfumaçada pela década de 1980, em especial por bandas como Cure, Siouxsie and the Banshees e Joy Division. Não há, porém, qualquer inteireza para além da atmosfera: xx é um disco rarefeito por insuficiência, tão instigante e relacionável quanto uma pedra de gelo seco. Nesse sentido, a banda é bastante bem representada por seu nome: uma possibilidade de grafismo, de ícone que não representa coisa alguma. Sim, tem o estilo, mas nada que não pudesse ser encontrado aliado a maior substância (e produzindo atmosfera parecida) em bandas como The National, os suecos do Shout Out Louds, ou na doce cafonice canadense do Stars.




