De todo o incenso diluído que anda sufocando a Pitchfork recentemente, poucos são ilustrativos de maior preguiça crítica do que o álbum de estréia do quinteto da Flórida Surfer Blood. Preguiça porque, passados os bons ganchos de “Floating Vibes” (mais para Built to Spill do que Weezer azul, como se diz por aí), cada uma das faixas de Astro Coast parece combinar elementos de uma ou outra banda de sucesso recente no meio indie. É como se o simples esquartejamento de tendências e a garantia de aprovação pelos pontinhos decimais da revista que as dita com maior autoridade fossem impulsos de suficiente valor artístico.
Ao esquartejador, o esquartejo: “Take It Easy” combina um verso rumbado à Vampire Weekend com uma brusca mudança pras guitarras dançantes e a bateria recortada do último Phoenix (em torno dos 0:52), de onde também sai “Harmonix”; “Neighbour Riffs” mistura a atmosfera do The Drums com os solinhos repetidos do Los Campesinos! (e quando se rouba de Los Campesinos! é porque a vida não tá mesmo mole pra ninguém) e ainda arrisca harmonizações em legato que simplificam o que há de genial nas guitarras do Dirty Projectors; “Twin Peaks” volta ao Phoenix no refrão, mas os versos parecem mesmo coisa do Deadeye Dick; “Fast Jabroni” revisita tudo que o Pains of Being Pure At Heart revisitava (além de bater aí com o encanto tardio pelo Black Tambourine), e acaba como uma preparação para uma canção que nunca vem; “Slow Jabroni” é só uma chatice, e “Catholic Pagans” parece acreditar que guitarras repetidas são suficientes para ser Pixies, e trechos em falsete geram instantaneamente uma “Say It Ain’t So”.
Há também a tentativa atrapalhada de tornar o som mais “próprio”, como as guitarras sem agudo (mas com tremolo, pra justificar o nome surfista) que só fazem o disco soar mais embolado e perdido, e o exagero na combinação de reverb e delay na voz como um aceno simplificado de que um dia eles já ouviram Panda Bear (o single “Swim” traz isso logo no verso inicial). Astro Coast é aquele álbum lido por alto, onde as palavras-chave importantes são coladas sem qualquer possibilidade de sentido (nem mesmo dadaísta) para além do name dropping. É um disco-tese de graduação.




