Meus mais sinceros agradecimentos a todos que foram ao show da Audio Rebel no último domingo. Foi uma noite verdadeiramente especial, em que diversas canções “aconteceram” pra mim como poucas vezes antes, com uma cumplicidade absoluta de todos que estavam assistindo. Como de praxe, foi bom reencontrar amigos que há algum tempo não via – e os que vejo com mais frequência também – sem sentir que a presença de todos ali se justificava apenas na amizade, mas também por uma experiência musical de fato ter se realizado – algo que me parece cada vez mais raro em nossos hábitos cada vez mais dispersivos, mesmo com a profusão de shows pela cidade.
Há dois anos, na última vez que fiz um show solo na Audio Rebel – sem dúvida a casa de show perfeita pras minhas músicas, ao menos aqui no Rio – o Develly tinha falado algo bonito sobre o show que eu lembro de ter publicado no meu velho blog. Desta vez, a frase que ficou comigo foi do Renan Lima, vocalista do Opallas, que disse que foi muito bom ele poder se ouvir enquanto me ouvia. É uma frase que condensa perfeitamente minha busca por uma certa fragilidade musical – fragilidade sim, e não delicadeza, valor que me parece um pouco avesso à própria idéia de arte; a fragilidade, ao contrário, é o flerte constante com a violência.
Para fazer uma metáfora escrota, esses shows são um pouco como aquelas gincanas em que, prendendo uma colher entre os dentes, é preciso passar um ovo cru para a colher da pessoa ao lado, sem usar as mãos, com o objetivo inútil de se chegar com o ovo inteiro ao final da fila. E é claro que o ovo já estava inteiro antes de a prova começar, e o único motivo de sua existência é exatamente colocar em risco a integridade do ovo, em um exercício de cooperação pela conservação de algo que não precisa conservado e que nunca esteve em risco. E quando o ovo chega inteiro do outro lado, volta-se ao começo, e ovo em nada foi engrandecido/agraciado pela inutilidade do processo. Então, pronto, cá está nossa omelete.



