Work não tem a variedade de seu predecessor, o ótimo Our Ill Wills. Nada mais lógico, pois as intenções aqui dependem intimamente da redução dessas variações internas no álbum. A palavra-chave para os Shout Out Louds neste terceiro disco parece ser “aceleração” – o que, paradoxalmente, em música tem menos a ver com cadência, e mais com constância. A evidência de consciência desse procedimento vem no refrão de uma das canções mais cadenciadas do álbum, “Throwing Stones”: “If you think I’m slowing down / Then I don’t know what to do”.
Muito como em Is This It, dos Strokes, as canções de Work têm essa vocação linear ascendente, onde um mesmo padrão melódico e uma mesma pulsação rítmica são inflados com uma constância maquínica, caminhando sistematicamente para o sufocamento. Para isso, é necessário desenhar canções em linhas retas, com melodias que se repetem em sua primariedade, onde o ritmo – mesmo variando de faixa a faixa – conduza sempre a esse contágio, produzindo a sensação de empuxo. É como se Our Ill Wills quisesse realizar um disco do Cure feito apenas de peças otimistas (imagine um álbum que enfileirasse “The Lovecats”, “Close To Me”, “Friday I’m In Love”, “Mint Car” e por aí vai), enquanto Work tenta reescrever todas as canções de Funeral, do Arcade Fire (referência evidente para a melhor canção do disco, “Walls”), como variações de “Rebellion (Lies)”.
Musicalmente, o Shout Out Louds continua revisitando a década de 1980, como faz a maior parte dos melhores suecos: para além da semelhança da voz de Adam Olenius com a de Robert Smith, temos ecos de Pretenders (a excelente “Fall Hard”), guitarras à Smiths (“Show Me Something New”), riffs repetidos com traços de Peter Hook, uma frontalidade na releitura da new wave que faz lembrar os compatriotas do Psycothic Youth (novamente “Show Me Something New”), e uma dedicação às canções de 2 ou 3 acordes que faz pensar imediatamente em Stoned and Dethroned, do Jesus & Mary Chain. O que evita que todo esse referencial leve o disco para o armário é justamente essa reiteração conceitual a cada faixa, que amarra cada ícone de inspiração a uma perseverança suicida que lhes é estranha, e que faz de Work uma bela trilha sonora para acidentes de carro. Não à toa, a última faixa – expressivamente chamada “Too Late, Too Slow” – parece flutuar logo após a colisão, se agarrando aos fragmentos de um disco que não existe mais, que se consumiu em sua própria existência.





Pingback: Dissonata ZipTape Vol.1 « Dissonata